Meu querido aluno...
O ENEM chegou e também aquele friozinho na barriga. Não fique nervoso! Você estudou bastante e não se esqueça de que vocês fizeram muitas leituras, muitas mesmo. É verdade que nunca o texto estava bom e sempre aquela história de refazer, é assim mesmo pra todo mundo. Agora, fique esperto com a prova de REDAÇÃO. Não esqueça o que já vimos:
1. A apresentação da sua redação é fundamental: a sua letra tem que ser legível. Escreva sem borrar, observe a margem e não deixe uma linha em branco entre os parágrafos.
2. Leia com atenção o comando pra não escrever o que não te pediram. Leia com cuidado e não "ache" que eles querem que você escreva sobre isso. Você tem que saber o tema com certeza.
3. Na introdução apresente o assunto e se posicione (os temas exigem de você um posicionamento), mas não tenha pressa em desenvolver logo. Isso somente nos parágrafos seguintes.
4. No desenvolvimento você terá que fundamentar suas ideias e isso com os recursos que nós vimos: a citação, o exemplo, a comparação, a definição, a enumeração...
5. Com relação à citação: faça a memorização hoje à noite de umas três e isso já será um ganho pra você.
6. Na conclusão escreva sua proposta de intervenção: isso vale ponto. Em algumas questões somente uma SINERGIA, lembra?
7. Não esqueça os verbos da regência: não use a preposição "em" depois do verbo implicar (t.d.).
8. Não use gírias, nem termos coloquiais "tipo assim". Não esqueça que sua linguagem precisa ser culta.
9. Não diga que fulano ou fulana precisa se "conscientizar".
10. Se o assunto for DROGAS, cuidado! Não experimente nem escrevendo sobre isso!...
SUCESSO, meu querido!
Todo o conhecimento é ouro e o ENEM é a sua Serra Pelada.
Um grande abraço da professora que está torcendo por você.
Luzia Almeida
... não é fácil!
Vou contar pra vocês umas histórias de sala de aula:
Primeira história:
Era uma turma da noite, do ensino médio. Eu lembro benzinho que cheguei com um texto sobre violência contra a mulher. Eu cheguei, dei "Boa noite" à turma (turma boa, tranquila) e comecei falando sobre a sociedade brasileira... isso tudo para introduzir o assunto. Então eu falei: "Hoje vamos tratar da questão da violência contra a mulher e eu iria começar a distribuir uma cópia de um artigo da revista Veja. Como disse "Eu iria distribuir o material" porque uma aluna que estava sentada bem na primeira fila me chamou e disse bem baixinho só pra eu ouvir: "Professora, por favor, não toque nesse assunto." Eu percebi no rosto dela as questões que eu iria tratar. Não deu. Pensei "E agora?" Agora seria o plano B e pra quem tem todo o alfabeto na memória isso, claro, não foi difícil.
Segunda história:
Também à noite, o texto era meu, um conto : CHOCOLATE AMARGO, do meu segundo livro. Tema: pedofilia. A aluna me deixou ler o texto, mas depois na hora do debate ela disse "Professora, fui abusada com 11 anos". Eu fiquei num estado de nervo com aquela verdade monstruosa que não mais sabia dar andamento à aula. Mas, fui... como vocês já sabem: o alfabeto é meu!
Terceira História:
Um palavrão escrito na parede da sala de aula, toda aula e o palavrão lá. Toda aula, toda aula. Até que um dia eu falei qualquer coisa sobre aquela imundície escrita na parede e alguém falou: "Foi fulana!" E fulana estava na sala. Eu disse: "O quê? Você escreveu isso na parede?!" A fulana ficou toda sem graça e assim confirmou que tinha sido ela mesma. Eu disse: "Vá pegar água e sabão e vá já, já lavar toda essa sujeira!" Ela foi e lavou. As aulas seguintes sem palavrão foram bem melhores.
Agora chega de histórias tristes!...
Eu não estava na sala de aula, estava na secretaria e uma aluna estava lá também fazendo não sei o quê. Ela me viu e disse meio sem graça: "A senhora se lembra daquela noite... a senhora disse umas palavras... Eu fiquei olhando pra ela, pensando "que noite? que palavras? Ela continuou: "Eu ia fazer uma coisa errada, mas a senhora disse aquilo e eu não fiz mais..." Eu olhei pra ela e sorri. Às vezes, a gente banca a mãe em sala de aula e dá certo. Esse sentimento de simpatia pelo aluno é algo tão grande que, combinado com as palavras certas, surte efeito que só algumas vezes ficamos sabendo. As outras vezes não nos pertence, mas esse exemplo pra mim é um incentivo para tentar botar juízo numas cabecinhas de vento.
NÃO DISISTIR É PRECISO!
São muitas as histórias. O que me tem feito pensar muito no meu comportamento é no modo como sou vista pelos meus alunos. O Samuel bate continência quando eu passo e o Rafael me chama de mãe e pede a bênção. Todas as vezes que me vê ele diz "Bença, mãe" e eu digo "Deus te abençoe" e eu fico nesta fronteira: entre a continência e palavra. Isso é ser professora. E as fronteiras falam sobre este público diverso.
Agora:
Vou contar a mais linda de todas. Toda aula é uma luta e um dragão que tenho que matar e se mato o dragão da preguiça, do descaso e da indisciplina eu me fortaleço nessa sempre luta diária e se a turma fosse homogênea eu estaria perdida. Não estou. A turma é heterogênea: dragão morto e vejo pela sala alguns sorrisos daqueles que serão os futuros profissionais e que vêem na figura da professora a bússola para o sucesso. Então eu afio a lança e que venham todos os dragões do mundo que eu não tenho medo!
***
Luzia da Silva Almeida
Meu carinho e respeito a todos os professores da minha vida: da Escola Municipal República de Portugal à Universidade da Amazônia - Unama.
Meu carinho e respeito aos meus colegas professores da Escola Regina Coeli Souza e Silva e aos meus colegas do Mestrado 2014 da UNAMA.
Meu carinho e respeito às minhas irmãs Lilian da Silva Almeida e Heloisa Helena Almeida Mendes. À amiga Christiane Menezes Oliveira que, como eu, lutam as mesmas lutas e que, com certeza, têm muitas histórias pra contar:
MUITO AZUL E MUITAS FLORES PRA VOCÊS!
...Eu te amo!
E falando assim tão simplesmente parece o mesmo e quase sempre o que todos dizem. Mas, se a frase é a mesma dita tantas e tantas vezes, hoje vou enfeitá-la com teu sorriso para que sendo frase, seja também flor, de branca pureza que liga a tua vida à minha.
Se a flor é branca a frase já virou jardim!
Agora são tantas as flores de querer-bem a vida inteira.
Efeito de ternura e vida que me faz feliz.
Eu seria capaz de inventar uma frase de amor inédita. Eu seria capaz! Mas até que desses conta de seu valor... ah, isso demandaria tempo, e o tempo é hoje, e o tempo é agora:
dia 21 de setembro, o dia-flor-marcinha.
Dia de tanta ternura que fico escalando a Via Láctea para definir-te tanto encanto enquanto penso nas estrelas e recolho todos esses brilhos como conchas na areia da praia para enfeitar teu caminho que também é meu. Muita luz para iluminar-te hoje e sempre.
Muita alegria no teu coração, Marcinha, porque se és feliz, também sou eu contigo! Por isso frase bendita de amar-te para sempre. Bem-querer é pura canção que trago escondida nos meus braços de te ninar... para sempre!
FELIZ ANIVERSÁRIO!
DEUS TE ABENÇOE!
Luzia Almeida
... Morno
que se põe.
Tu és mais que isso:
és a ideia perfeita de um conto.
A luz que reflete na página da minha vida
deste livro primeiro chamado Trapiche.
Ah, tu não sabias?
Tu não sabias que na configuração da fantasia
estarias na minha sala para falar-me
de Rosa Helena:
"Olha, professora!... O menino era terrivelmente apaixonado por uma menina que nem ligava pra ele..."
Que coisa linda!
Eu posso viver mil anos sem esquecer esse dia
tão feliz.
Um dia mágico com as cores do sol de Rosa Helena.
Mas, olha...
Que dia é hoje?
Pra mim, que sou tua fã, hoje é dia de festa!
Dia de pensar com saudade no meu aluno querido.
O aluno Tiago que me encantou com sua inteligência...
Eu era feliz e não sabia dessa saudade!... Nem suspeitava!
Que dias aqueles! Na na sala de aula... com a Alline, a Ana Gabriela, a Bárbara, o Davi, o Emannuel, a Gabriela, o Hudson, o Hugo, o Itamar, a Izabela, o Josué, a Juliane, a Kamila, a Karine, a Karoline, a Laiza, o Lucas, a Luiza, o Marcos, a Mellina, a Nilce, o Pedro, a Rafaela, o Mohamad, a Sarah... contigo e com o Wagner, todos INESQUECÍVEIS!!!
Pra sempre!
Se eu continuar com essa conversa... vou chorar!... porque te amo tanto que fico meio besta...
Vou chorar porque os dias foram tão breves que nem percebi que era o terceiro ano mais feliz da minha vida!
Não, vou parar com isso!
Hoje é dia de festa!
É o teu aniversário e só tenho que falar em flores, em chocolate, em bolo, em presente... tudo de bom e colorido com perfume da Natura. Tenho que aspirar às melhores colocações pra ti. Na tua vida muitos degraus a subir... Muitos e pra sempre nas alturas do sol.
Meu querido,
FELIZ ANIVERSÁRIO!...
Luzia da Silva Almeida
Ananindeua, 4 de setembro de 2015
Dia de flores!...
Dia de música e tudo que tem um quê de harmonia,
de graça e de beleza.
Fantasia que tudo cria a partir do sorriso
que mais parece uma valsa
neste compasso: vida da gente.
Vida de vinte e uma flores.
Dia de amores.
Arte feito ternura,
jardim e cor.
Dia de comer chocolate, de esquecer a dieta e se chover...
tomar banho de chuva. Se não chover... melhor!
Dia de conversar, de não dormir depois do almoço para não perder tempo, para não perder a música...
para ter a festa completa.
Dia inteiro
DA VICTÓRIA SALZER.
FELIZ ANIVERSÁRIO!...
Grande abraço, minha princesa.
Luzia Almeida
Eu pensei em começar este texto falando em ouro para dizer a estrela que a Haidy é, seria mais ou menos assim:
Todo
o ouro do mundo não vale um sorriso da minha amiga porque todo o ouro
do mundo não pode produzir uma estrela sequer e minha amiga Haidy é constelação.
Ficou bonito, eu sei...
Mas
falar em ouro, em estrela ou em constelação ainda não é suficiente. O
texto que eu quero escrever hoje tem que partir do ouro, dobrar na
estrela, seguir reto em direção ao oceano para finalmente aportar na
arte.
Vou tentar:
Hoje
à noite quando estarei voltando ao Brasil deixarei uma palavra de
agradecimento à minha amiga Haidy. Será demasiado emotivo, será um
"muito obrigada" carregado de solidão porque eu sei que passarei algum
tempo sem vê-la de novo: dias, semanas, meses, quem sabe até anos?!...
Então, necessariamente a palavra de agradecimento será acompanhada de um
abraço. Mesmo assim o tempo não desfaz o espaço porque o sol voltará a nascer
como se nada tivesse acontecido e à noite, a lua e as estrelas
estarão cumprindo seus papéis de luzeiros no mundo e eu não posso levar o Suriname pra casa.
E o abraço? De que
adianta tanto ouro e tanta estrela se um abraço de amizade é tão
breve?!...
Quando eu digo um abraço para Haidy eu quero dizer que é muito difícil pra mim não levá-la comigo para o Brasil.
Então
o abraço é um tipo de compensação para quem se separa, mas eu acho que
não é uma compensação muito eficiente e além disso, acho que alguma
coisa está faltando: eu falei em ouro, falei em estrela, em constelação,
mas não falei em oceano porque não é só brilho que a Haidy irradia... O
caráter dela é de uma profundidade que lembra muitas águas todas juntas
formando um mundo de vida e cor.
E, tem mais, ela é tão inteligente que eu me sinto como uma criança perto dela aprendendo os primeiros passos.
Então, posso até chorar, mas eu sei que um abraço é tudo que tenho até o momento do novo sorriso.
Luzia da Silva Almeida
Paramaribo, 30 de julho de 2015
Na casa dos Malones os dias são sempre estrelados. Eu poderia dizer noites estreladas, mas há tanta luz que a palavra noite ficaria solta neste texto. Não quero confundi-los com tempo, não é de tempo que estou falando: é de casa. Casa Estrelada. Então vamos definir esta casa:
Uma casa é mais do que precisamos quando as pessoas são teto e abrigo num sentido que parte da semântica para ancorar no coração. Estão vendo? Não é fácil definir a Casa dos Malones!...
Vou tentar de novo:
Hoje pela manhã quando acordei ouvindo os passos da Haidy, eu fiquei tão alegre de saber que estava aqui que esta alegria não sendo inédita - posto que já estive aqui outras vezes - permanece única e sem par. Melhorou? Uma alegria agrupada que chega a nos convencer que nada existe de ruim lá fora. Que me faz cantar (mesmo sendo desafinada), que me faz pular (mesmo sendo cinquentona) que me faz sorrir (mesmo tendo que corrigir um capítulo da dissertação), todos os mesmos acabam sendo motivos dessa mesma alegria que me acomete e que me faz tão feliz. Uma felicidade benéfica com anúncios de tantas conversas, de tantos sorrisos e de fatos que se darão e que eu ainda não sei o conteúdo, mas a alegria da casa já me segreda nos ouvidos uma canção. Entenderam?
Já estiveram numa casa assim? Que mesmo não sendo sua foi feita pra você porque tudo está de acordo e sugere uma beleza legítima, comum e rara como os quadros de Van Gogh? Eu vivo esse privilégio.
Bom, pra concluir:
Ontem à noite eu estava sentada no pátio e de repente eu vi um passarinho no telhado: entre uma pernamanca e o teto. Ele era tão vivo que pensei que fosse real. Mas depois percebi que ele não se mexia e eu esperando, esperando, esperando que ele se mexesse, ... e nada. Daí eu cheguei a conclusão que ele era empalhado. Eu disse pra Marcinha: Ah, ele tá empalhado!... Ela olhou pra ele e concordou comigo. O bichinho parado. O olhinho bem pretinho. Daí mais uns tempinhos, o olhinho bem pretinho fechou e eu pensei: "bicho empalhado não fecha o olho", mas como sou míope, levantei-me e fui vê-lo mais de perto. O olhinho estava aberto, mas ele continuava tão paradinho e suas penas eram tão verdadeiras como as penas de um pássaro empalhado que eu finalmente me convenci que o bicho estava realmente empalhado. Fiquei olhando pra ele na sua inércia e, se o coraçãozinho dele batia, as penas do peito não denunciavam. Voltei à minha cadeira com a certeza de que era uma decoração já que também havia plantas e rosas por perto. Quando sentei novamente o pássaro voou! Isso foi ontem à noite, eu tinha acabado chegar à Casa dos Malones!...
Passar por uma experiência onde os sentidos vão e vêm numa condução colorida de jardim é pra ser feliz que a felicidade também usa os sentidos.
O passarinho voou e o Malone trouxe suco pra mim e pra minha filha e ficou sentado no pátio conversando com a gente como se o todo mundo respirasse essa gentileza, essa generosidade que são propriedades dele e que deveriam ser do mundo todo.
Luzia da Silva Almeida
Paramaribo, 21 de julho de 2015