segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Lili Gogh

Ventos que nas tardes de dezembro festejam tua chegada.
Que ventos?
Que mares são estes?
Do sul? Do norte? Não sei!
Revestidos de uma transcendência azulada
gazetam planos e planaltos
para te verem.
Para te ouvirem tocar.
Para te ouvirem tocar somente
a música que escreveste,
que fizeste nesta dança da vida. 
Música escolhida
Valsa de todos os sonhos
Coração!
Mares! Mares!
Maresia de uma existência ímpar
Arte acima de tudo
Beleza, leveza, exatidão
Tudo que faz crer
Turbilhão
Tudo o que existe nesta melodia perfeita
de todos os ventos
Ímpeto de uma natureza que nasceu e cresceu
pra fazer poesia.
Música
dedos de todos os ouros
Mil quilômetros quadrados
de pura fantasia.
Melodia perfeita que se fez poema de Van Gogh:
EU TE AMO!
***
Luzia Almeida
Dedico este poema à minha irmã Lilian da Silva Almeida numa demonstração by Van Gogh.
BEIJO! Eu sei que tu vais gostar! Que tal?

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Filhos do sol

É tarde e a noite dorme,
adormecida no silêncio do seu eu.
Viaja.
Longe do que é presente
ela sonha com o sol.
Delira.
Vê sua triste história,
canta canções antigas,
brinca... estrelas perdidas.´
Pára.
No limiar do universo, escuta verso.
Decora.
Sombria vai, sonhando acorda,
que o tempo determina seu porto, seu cais.
*
Os raios são fatais, cruéis...
eles são todos iguais:
Amam a luz.
Imperam.
Dominam,.
É cedo e a noite acorda.
(Luzia Almeida)
* * *
Poesia publicada pelo Jornal
O LIBERAL em:08/03/1992.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Palavras

São flocos escorregadios;
luzentes, nebulosos, semideuses ...
Buscam a plenitude do olhar:
Calam.
Choram.
Vibram.
*
Flocos gentis ou ousados.
Às vezes massacram sem pena, sem lei.
*
Capazes de matar,
capazes de sorrir.
Sorrir, pois a vida é uma flor,
e o vento invade, e a chuva clama ...
*
Vasta solidão das linguagens!...
Dos entendimentos controlados,
contados, varridos e espionados.
(Luzia Almeida)
*
Poesia publicada no jornal
O LIBERAL em 13/09/1992.

Mel do avesso

A primavera dos teus olhos
tilinta como metal,
perde a cor,
o brilho,
vaga entre lírios pasmados.
*
Suculentos vapores
expressam-se neles.
Infalivelmente:
Vibra,
fascina,
caminha ao contrário.
*
Teus olhos lírios,
borboletas de desertos,
cravam como cravos
no decote vermelho do meu coração.
*
Cravos com lâmina e perfume,
ventos fugitivos,
cantos alucinantes,
"vozes vaporosas".
Cantam. Falam.
Juntos, pertos ...
até que a porta se abra
e uma voz desconhecida se faça anunciar.
(Luzia Almeida)
*
Poesia publicada no jornal de
Belém do Pará, O LIBERAL: 29/02/1992.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

A Folha

Leva a folha o vento
que não pensa.
Leva a folha o rio
que não pára.
A folha
que apesar de verde
é incapaz de pensar:
que existe tempo e latão.
*
Assim...
Deixa-se seduzir pelo vento aventureiro,
pelo rio misterioso.
Pobre folha LEVADA!
Bem-aventurada agora. E depois?
- O latão!
O que diz a árvore?
- Deixai-a!
O que pensa a folha?
A folha não pensa ... SONHA!
*
(Luzia Almeida)
Poesia publicada no jornal
O LIBERAL em: 14/01/1992. 

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Lembranças


Até que finde a primavera
verei o teu rosto
vencido pelo presente
ausente do que virá a ser eterno...
Até que finde a primavera.

A primavera findou,
e o teu rosto
embora presente,
lança óleo no oceano...
Grande,
Vazio,
Perdido,
Meu!
 Luzia Almeida
*    *    *
Poesia publicada no Jornal
O LIBERAL em: 01/01/1992. 

sábado, 20 de novembro de 2010

O que é poesia?

 

O que é poesia?
Seria uma rosa,
uma amêndoa,
um lírio?
Poesia seria o mar bravio
de Castro Alves?
sua angústia,
e generosidade?
Seria o canto do negro?
Socorro!
Liberdade!
O que é Poesia?
é um coração disposto a ver tudo isso..
e vendo
ama
chora
lamenta
se indigna.
Esta é a nossa marca

a nossa agonia
Razão de viver
dor e felicidade
de mãos dadas
Isto é poesia.

E pra você... O que é poesia?