segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Pureza em tempos de Luzia

Ontem à tarde um amigo me falou sobre pureza...
Que coisa boa!...
Fiquei pensando no caminho da Igreja sobre a importância da Pureza na vida da gente.
A verdade é que pouca gente pensa nisso:
um caminho de pureza. Mas, em que sentido?
Em todos!...
Então na Igreja, eu orei e pedi a Deus um coração puro: 
SENHOR,
tem misericórdia de mim! Tem misericórdia de mim, SENHOR e conceda-me um coração puro.
Ensina-me, SENHOR, o verdadeiro caminho da pureza.
Ensina-me a ser zelosa com minha filha e sempre ser um bom exemplo pra ela
Abençoa-me para que eu prefira sempre a honra e a justiça na minha casa. 
Não permita, SENHOR, que meu marido venha a ser escarnecido por uma fraqueza minha. Pelo contrário, que honrá-lo seja um ideal de justiça. Um ideal de todo aquele que te conhece e que honra o teu NOME. Que eu possa viver uma vida digna, uma vida decente de esposa e assim fazer meu marido feliz.
Perdoa, SENHOR. Os dias são maus e minha natureza, por vezes quer se rebelar e fazer a própria vontade. Ajuda-me, para que isso nunca venha a ser um fato.
Ensina-me o caminho da dedicação no meu trabalho. Mesmo quando cansada, SENHOR, que eu não desanime porque também sou responsável pelo futuro dos meus alunos.
E que eu possa chorar, não por conta das febres dessa vida, mas porque reconheço que a tua SANTIDADE é bem maior que eu.
Eu sou pequena e TU ÉS O GRANDE EU SOU. 
O SANTO DE ISRAEL.
Abençoa-me, SENHOR.
Abençoa grandemente, SENHOR, a todo aquele que fizer deste texto sua doce oração.
Amém.
***
LUZIA ALMEIDA
   
   

sábado, 24 de novembro de 2012

O que é saudade? II

Já falei pra vocês do meu gato Max. Pois é!... Ele foi embora, e deixou uma imagem meio fantasmagórica e, por isso mesmo, FASCINANTE!...
Uma noite, isso era mais ou menos 1988...,
eu estava patetando olhando pra rua quando ele começou a miar nas minhas pernas, mas isso era costume dele. Às vezes eu deitava no sofá pra ver televisão e ele deitava no meu peito. E ficávamos assim.
Então,
eu estava patetando olhando pra rua e ele chegou e começou a miar, só que o miado foi se intensificando e eu comecei a temer. Entrei e ele foi atrás de mim. Pra onde eu ia ele, atrás de mim. E miando com insistência. Aí eu fiquei com medo mesmo!
O que é que o Max quer?!...
Ele queria parir. E eu não estava entendendo. O gato pedia socorro, o bichinho era virgem de parir e a única conhecida dele que poderia ajudá-lo era eu. Talvez até já houvesse um parentesco... Talvez eu fosse mais que uma conhecida. Sei que resolvi ajudá-lo:
Arrumei uma caixa de papelão e forrei com jornais velhos. E ele foi se aquietar para parir.
Foi uma gritaria!...
Foi uma gataria só!
Agora o Max era mãe e eu o perdia para sempre!...
O Max era mãe e eu o perdia porque não poderia competir com tantos gatinhos.
Saudade é bem maior quando desconhecemos suas causas. O meu gato tinha dupla identidade e como um espião fazia jogo duplo. Eu não deveria amá-lo tanto, uma vez que ele tinha parceiro ou parceiros. Eu não tinha ninguém e chorei demais quando ele partiu.
Se ele me amava de verdade... eu nunca vou saber!... Gatos são animais estranhos, talvez não cultivem sentimentos verdadeiros. Quanto a mim,
registro esta obrigação no meu blog, já que sou ainda fiel a ele mesmo sabendo que o Max não era gato era gata.
Minha fidelidade consiste em nunca mais ter gatos. 
Ficou Max para sempre.
É por isso que agora prefiro criar mangueiras.
***
LUZIA ALMEIDA

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

O que é solidão?

Perguntaram-me: "O que é solidão, Lulu?"
E eu sei!?...
Como é que vou saber? Estou sempre cercada de gente e de pessoas!... Eras! Até me assustei!... Tenho cara de quem sofre solidão???
É graça minha. Solidão não tem a ver com gente nem com pessoa, não tem a ver com companhia. Solidão tem a ver com importâncias. Solidão é balança. É lâmina...  bem fininha... ela vai cortando o corção da gente assim: dia do aniversário da gente, quando esperamos ser lembrados e não somos. Solidão é esse nada estampado que grita bem alto e na cara da gente:
TU NÃO ÉS IMPORTANTE!
Ou...
Assim:
De repente tu sentes um cercado ao teu redor e esse cercado vai se distanciando, se distanciando, se distanciando e tu perdes de vista o cercado embora a presença dele fique massacrando tua estrutura humana. À medida que o cercado se distancia, tu vais sentindo assim um aperto no peito... é a bendita lâmina que corta o coração bem no meio e como ela é bem fininha não dá pra saber que agora são duas bandas. Separadas de um mesmo coração. Partido. Se alguém ousar ver bem de perto vai notar uma dorzinha aguda anunciada ausências...
Uma dorzinha enjoada que parece arrebentar com a gente. Uma dorzinha perversa e incolor.
Solidão é palavra de Van Gogh. Ele não fazia aniversário. Não tinha ninguém... somente um irmão. Solidão pra Van Gogh era esperar a carta do irmão e... pra mim... solidão significa 
SER A CARTA.
***
Luzia Almeida 



terça-feira, 13 de novembro de 2012

O que é saudade?

Eu pensei que com o passar do tempo ficaria fácil definir saudade!...
Nada fácil! Ficou mais difícil. Sim, porque o que era apenas saudade agora é nostalgia com uma pitada de angústia.
Então saudade é palavra tipo a essência da gente: demais complexa.
Deixa eu ver...
Antes eu tinha saudade de alguém. E eu dizia, por exemplo: tô com saudade da dona Luzia, ou de uma aluna, ou de um aluno... foram tantos alunos que marcaram a minha vida que chego a ser um mosaico furado de ausências sonoras e coloridas.
É isso: minhas saudades agoras são coloridas e... como é que eu vou dizer o que sinto... deixa eu ver... assim tipo uma coisa que é  muito difícil de definir. Por exemplo: eu tenho uma saudade seca, tenho uma saudade feliz, tenho uma saudade assustada, tenho uma saudade feito sonho de sábado ou véspera de Natal. Tenho saudade de varrer casa, de esperar o carteiro, tenho saudade de árvore, dos meus poemas que se perderam. 
Tenho saudades de ter 45 quilos e não saber o preço de nada.
Tenho saudade de uma amizade azul e de outra verde.
Tenho saudades do Rio. Das minhas amigas da UFF. Onde andarão: Luciana, Regina...
Saudade me faz esquecer o presente e se entro nesta canoa não volto mais. Porém volto. Volto sempre que o dia é hoje e vou já já mandar por email a aula de amanhã.
Tenho uma saudade branca. Meu gato Max que morreu quando eu estava em aula na Federal. Foi o Jorge (meu primo que me abraçou quando eu dobrei na rua de casa) que disse que tinha uma notícia pra mim)... Égua!
O Max era todo branco e só depois de muito tempo é que descobri que não era gato era gata. Foi o cara que estava consertando a geladeira que me disse. E quem disse que eu queria saber que não era gato, era gata. 
Ficou Max pra sempre.
Meu gato branco que foi embora e deixou meu coração esbandalhado.
Saudade do Jorge, meu primo, que partiu tão novo. A gente brincava de garrafão na rua. Ele me botava no colo e naquele tempo se tinha maldade eu não sabia. Saudade desse tempo bom. Que jamais voltará.
Saudade está ligada ao tempo e como somos vulneráveis, somos passíveis de esquecimento. É por isso que escrevo:
PARA NÃO SER ESQUECIDA!...
***
Luzia Almeida

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Sorriso de Flor

                 Amanhã é um barco
num porto sem rio.
É um sorriso amarelo de flor.
É uma dor.
Uma saudade cheia de hoje.
Amanhã não é tempo,
é dúvida.
Eternidade que se propaga e nem é luz.
Talvez estrela.
Pode conduzir no infinito da noite
um brilho
a que me apego
porque sou pó.    
***
LUZIA ALMEIDA           
 

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

sorriso azul

É possível que as coisas não estejam dando certo!...
É possível que aquele presente tão esperado, tão agasalhado no peito tenha se perdido. Sim, é possível!
E, de repente, você se vê chorando porque só assim o peso que machuca seu coração... As lágrimas são boas para diminuir pesos e medidas.
Um coração é feito para pesos e lágrimas. Olha que coisa!...
Então,
só nos resta pensar em outros presentes possíveis e torcer muito para que da próxima vez tudo dê certo.
Aconteceu,
uma rosa vermelha se perdeu,
mas eu ganhei outra no lugar. Uma azul feito ternura.
Azul!...
Perder um sonho que pode ser recuperado é pegar esta rosa azul e colocá-la num vaso com água.
Parece simples. É, parece simples. Mas não é. Nada é simples: um sonho não é simples, um peso não é simples, uma lágrima não é simples. Porque tudo está em volta do coração. E tem a condição de apertá-lo.
Meu coração, meu coração!... Aquieta-te e espera: A HORA DA ESTRELA AINDA NÃO CHEGOU!...
Enquanto isso, mando esta rosa azul a todos aqueles que me amam e acreditam na minha mão.
Beijo pra vocês!...
***
LUZIA ALMEIDA 

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

sem canto, desencanto

O sangue que escapa de meu lápis brinda com o sorriso das minhas mãos. Parece nefasto dizer algo assim!... Não é?!...
Que seja!
Sangue é uma agonia colorida disfarçada de vermelho. Deve ser por isso que perco o sono. Deve ser por isso que continuo escrevendo e ao fazê-lo vou movendo esta estúpida angústia de existir in red. Não sei existir de outra maneira.
Vermelho que sonda os cantos do meu eu. 
Tento me esconder... pra quê?!... É-me impossível um esconderijo ameno, não tenho tamanho.  Fui furtada de minhas dimensões. Perdi-me numa história revolucionária chamada cada dia. Dia-a-dia: segunda, terça, quarta, quinta... Todos os dias medem o tempo com loucura infantil e só posso conter-me agora por conta desse calor que sinto... que já, já vai fazer com eu pare... e arme uma rede para o embalo da tarde. A Clarice me espera com sua mente transversal. Vou tentar desvendar esta competência e , se eu não conseguir, pelo menos serei feliz nesta tarde de novembro.
Adeus!... 
A todos aqueles que partiram e levaram o meu coração.
***
Saudades de minha mãe que partiu sem saber que deixou uma filha escritora. Vontade enorme de dizer a ela o vermelho de minhas linhas.
***
Mesmo sendo vermelha sou capaz de uma chuva, mas sempre meu temporal vai escapar feito veia. Torneira aberta sem economia. Dínamo. Eras!... Será que alguém vai ler isso?
***
LUZIA ALMEIDA